domingo, 2 de junho de 2013

A Dádiva do Mouse Quebrado

     Gosto muito de internet. Gosto muito de redes sociais. Gosto muito do mundo eletrônico. Mas tenho procurado me dedicar mais a outras coisas; ler, escrever à mão, conversar pessoalmente com as pessoas, enfim, utilizar um pouco mais o mundo "analógico".
     Fico um pouco espantado hoje quando vejo crianças fissuradas em internet, que passam o dia todo conectadas, vivendo nesse mundo legal, porém pouco real da internet. Não que eu tenha sido uma criança completamente espoleta, que vivia brincando na rua, que só entrava em casa depois das sete. Eu também gostava de brincar dentro de casa, mas a coisa era tão mais simples... sei lá se estou sendo um nostálgico irremediável, mas estou me lembrando de um caso específico que me fez perceber o quanto as coisas se tornaram obsoletas numa fração de tempo tão pequena que eu nem percebi.
     Eu e meus primos gostávamos de "brincar de empresa". Montávamos uma verdadeira organização dentro de casa, com departamentos, fichas de cadastro, enfim, imitávamos o que nossos pais/tios faziam.
     Lembro do meu laptop naquela antiga empresa. Era um livro velho, de capa dura, que eu abria na mesma disposição que um notebook, e no qual eu havia colocado, à caneta, quadrados com as letras (em ordem alfabética, diga-se de passagem), que simulavam um teclado, coisa que eu tinha visto uma ou duas vezes na vida. Enfim, a gente substituía o teclado "Qwerty" pelo "Abcde".
     Um dia, minha irmã chegou com um presente. Tratava-se de um mouse estragado que seria descartado no escritório onde ela trabalhava. Lembrando da minha brincadeira, ela pensou que poderia fazer minha alegria ao me dar aquilo. E realmente fez.
     Fiquei radiante. Era um mouse de verdade para meu pequeno escritório. Apressei-me a tirá-lo da caixa, tomei-o entre as mãos e rapidamente fui testar o seu funcionamento. Conectei o plugue no meio de um bloco de páginas e fiquei ali, por quase uma hora, emocionado apenas pelo barulho dos cliques que o meu mouse DE VERDADE fazia.
     Acho que a minha geração era tão feliz com coisas simples que chega a ser estranho pensar que tudo que a gente sonhava em ter, e levava muito tempo para conseguir, hoje é tão simples de realizar que perde totalmente a graça.
     Ou então, sou um velhinho rabugento reclamando e dizendo que as coisas do meu tempo eram melhores.

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