terça-feira, 21 de agosto de 2012

Tempo Do Êpa


Diante de tanta coisa nova e moderna que se encontra na internet hoje em dia, tenho reparado que cada vez mais as redes sociais e páginas diversas que estão surgindo têm se dedicado a procurar e divulgar coisas antigas, que praticamente todo mundo esqueceu, mas que fizeram parte da infância. Ah, essas páginas geralmente dão uma nostalgia corrosiva bastante agradável (acho que só eu entendi isso).
Não sei se todo mundo é assim, mas coisas antigas mexem muito comigo. Brinquedos da infância, programas de televisão, ou simplesmente algo da casa da avó que a gente nunca esqueceu são reapresentados para nós agora, depois de tantos carnavais, e mesmo assim são capazes de despertar o exato sentimento daquela época. A gente se transporta para lá, e quase não dá vontade de voltar. Era tudo tão simples e tão bom...
Naquela época, a gente ouvia um som animal no toca-fita e a desenrolava desesperadamente dentro do rádio depois de ouvir um agoniante som do cantor engasgando; o luxo maior era ter um rádio com toca-fita auto-reverse no carro. Imagine não precisar virar o lado! Era muita modernidade!
Tive aulas de datilografia. A gente colocava esparadrapos sobre as teclas, porque um dos exercícios era conseguir bater (literalmente) um texto inteiro sem olhar para o teclado. Isso sem contar que a velocidade de digitação (pancadas) também era muito apreciada. Eu achava as máquinas de escrever o máximo. Imaginem o que foi meu primeiro contato com um computador; achei aquilo a coisa mais incrível que já tinha visto. Lembro-me deste dia. Estava na casa de uma tia que tinha comprado o primeiro computador da redondeza. Estava lá eu, embasbacado com um negócio em que se apertavam as letras do próprio nome, e tudo ia aparecendo naquela “TV” (?!) diante dos meus olhos, como se fosse mágica. Fui para casa com meu nome impresso numa folha. Levei para a escola no outro dia e mostrei pra todo mundo.
Apresentei trabalhos em disquetes. Sempre salvava o mesmo trabalho em cinco diferentes, e mesmo assim não conseguia abrir em algumas ocasiões. O barulho dele dentro do computador, como se estivesse quebrando pra tentar abrir o teu arquivo, era algo que causava bastante apreensão.
Hoje entendo bem quando as pessoas mais velhas falam que não adianta tentar explicar por que antigamente as coisas pareciam melhores; eu já não consigo explicar direito para os mais jovens que eu. Só sei que era melhor e ponto.

2 comentários:

  1. Dando uma passada para compartilhar desta "nostalgia corrosiva bastante agradável" com o amigo (sim, eu também entendi o que tu quis dizer ali =P).

    Muito bom o texto e melhor ainda foi ser transportado para o passado não tão distante que foi a infância.

    Abração!

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  2. Eu acho que as coisas de antigamente não eram melhores, nós é que éramos.
    Infelizmente o tempo passou e me deixou esse ranzinza de coração poluído.

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