Muitas vezes nos pegamos em
situações em que gostaríamos muito de ser um avestruz para poder enfiar a
cabeça debaixo da terra. De forma resumida, hoje trato da terrível situação de
ser convidado a resolver um problema que não é seu.
Pais
e filhos, casais de namorados, colegas de trabalho, enfim, em todas as relações
humanas tem um momento em que começam a acontecer atritos. As pessoas vão
engolindo sapos pacientemente, até que não tem mais jeito. Rola uma D.R.,
ninguém segura, a não ser que tu sejas o azarado que aparece bem na hora.
Certas
coisas precisam ser resolvidas sem a intromissão de terceiros. Mas é tão mais
fácil quando o terceiro aparece para ser alguém em quem pôr a culpa que as
pessoas fazem deste processo um mecanismo automático. Posso estar sendo muito
prolixo para chegar no ponto em que quero, mas é importante uma breve
introdução teórica antes de mostrar a situação clássica.
A
discussão transcorre normalmente. As duas pessoas ficam se olhando, reprovando
todas as falas recíproca e simultaneamente, até que tu apareces, sem o menor
aviso prévio, e sem a menor noção do que te espera. Os dois param um pouco de
brigar e te olham, com aquela cara de “apareceu na hora certa”. Depois de um
breve cumprimento, a discussão segue, mas agora, com um diferencial. Tu tens a
incumbência de ser o grande juiz da partida. Receberá críticas e elogios, por
isso é melhor estar preparado psicologicamente. As falas são clássicas:
- Eu já te disse! Tu precisas mudar, fazer as coisas diferentes para ter uma vida diferente, tá aqui fulano que não me deixa mentir!
Depois
desse tipo de fala, ambos olham para a sua cara e demonstram expressões
bastante diferentes. O ofendido te olha com uma cara de “não acredito que você
acredita nisso!”, e o ofensor te olha com aquela cara de “me dá razão logo!”. E
tu se sentes verdadeiramente encurralado. Três soluções possíveis:
1. Dar
risada, e fingir que não entendeu;
2. Fazer
uma cara de cão arrependido, e dizer que não quer se meter nisso;
3. Tomar
as dores de alguém e entrar na briga, tendo consciência das consequências de
assumir um lado.
Não que isso
seja um manual, mas acho que às vezes é bom viver um pouco de cada. Ser um
terceiro é praticamente sempre uma grande enrascada, então, não existem opções
que te deixem completamente a salvo. Proponho que tenhamos mais paciência e não
envolvamos terceiros em nossos problemas. Para ser feliz, e encarar com mais
naturalidade os problemas, eu acho que prefiro me apegar à opção número 1.
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